quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Conselho nº 52


Caro Companheiro e Presidente,


O Fato e o Conselho:

Sr. Presidente

... De um Brasil independente
“que em se plantando tudo dá”.

Presidente desta gente
Que votou com esperança
Vamos regar a terra
Ensinando á torrente
Que não venha para cidade
Atrás da ilusão e
Que goze a felicidade
Do luar lá do sertão.

Peça ao povo do agreste
Onde canta o sabiá
Que permanece lá na terra
“Que se plantando tudo dá”.

Se a terra for regada
Nossa Pátria cultivada
Do mundo será celeiro
Já nos disse um companheiro
Que partiu “para o mais alto”.

É preciso que o Planalto
Comece a olhar para o povo
Pois se há Governo correto
O País crescerá de novo.

Presidente do Progresso
Não se deixe enganar
Pelos tantos do Congresso
Que o querem manipular

Combata o inimigo
A mentira, a corrupção,
Tire da fome a ira
Distribua mais o pão.

Seja líder de um torrão
A produzir riqueza
Sem que seja devastado
Pois a terra esturricada
Leva à fome desgraçada
A grassar na multidão.
Da República Presidente
Faz justiça ao penitente
Que apodrece na prisão.
No leito morre o doente
De hospitalar infecção.

Vai a nossa objeção:
Tanta água em nossos rios
E o progresso aonde vai
Que não chega no sertão!

De todo canto, a pobreza
Observe lá no alto
A grandeza do Planalto...
Se o Congresso trabalhasse,
Ah, Sr. Presidente!
Talvez o Brasil se curasse
E ao fosse insolvente!

Cobre dos incompetentes
E pergunta: A que vieram?
Pois seus salários tiveram
Aumentos mais que indecentes!

Entranhamos tanto acordo
E seus bolsos já tão gordos
Afronta o salário mínimo,
Que de ínfimo e pequenino
Faz morrer qualquer doente...
É verdade, Presidente
Dos pedintes sem destino.

Presidente do povo iludido
Escuta seu triste pedido
E reparte mais o pão.

Presidente da terra crestada
Dos verdes pastos, da enxada,
Ame o povo, dê-lhe a mão.

Piedoso Presidente
Tire o ódio do oponente
Pra que possa governar
Essa terra de desgraçados
Da cidade e do sertão
Dê-lhe a terra para arar
Dá um fim à escravidão.


A fome tem nome: descaso;
Nosso irmão peleja aflito
Em terrível provação.
Tanta gente ao acaso
Já sentiu fome a roer
E se viu gente morrer
Como em quadro de Picasso...
Só se vê gente sofrendo
E safras apodrecendo...
São felizes os ricaços!

Presidente patriota
Nós queremos providência
Pra acabar com a violência
Que invade as cidades;
Queremos boa vontade
Com a delinqüência da rua
Que merece disciplina
Que precisa de doutrina
Para mudar a mente crua.

O Brasil no berço esplêndido
Criado das mãos de Deus
Precisa de braços bem fortes
Pra chegar ao apogeu
E deixar dessa indolência
Discórdia e desunião
Dos que dizem que governam
Mas afundam esta Nação.

Presidente brasileiro
Não deixe que a Amazônia
Seja grilada pelo estrangeiro
Que lá fincou o seu pendão
Com a convivência de tanta farda
Encarrega de boa guarda
Desta parte da Nação.
E então?

Como ficam as fronteiras
Sem nossas forças armadas
Que antes abriam estradas
E hoje descansam em quartéis?
Que vigiem nossas riquezas
Soldados e coronéis!

Diga ao povo
De fé se esvaindo
Talvez haja igualdade
Entre tantos desgraçados
E os outros aquinhoados;
Pois Deus que em cima vê tudo,
Quem sabe vai ter algum tempo
E ficar bem mais atento
A este povo brincalhão;
Ao povo que gosta de samba
Ao povo que bebe cerveja
E atenda a agente da igreja
Que fica fazendo oração.

Vamos Sr. Presidente
Junte-se ao povo a rezar
Pra isso que vamos aí:
Não deixe que a guerra nos chegue
E abra bem os seus olhos
Pras regras do FMI.

Presidente do inocente
Que quer milagre urgente
Para sua vida mudar!
Que não sabe que promessas
De cima de um palanque
Pelas muitas contingências
É difícil realizar!
Presidente brasileiro
Deste povo do pandeiro
Que precisa afinação;
Faça esforço de guerreiro
E levante esta Nação.

E o poeta ergue o braço
Apontando a exclusão
Envergonhando a Nação.

Presidente sabe tudo
E tem tantos assessores....
Mas quem entende de dores
É o nosso irmão mendigo
Que vive e dorme ao léu
Tendo como único abrigo
Manta de estrelas do céu.


Colaboração de Anna Salles
Rio, 10/03/03


Esse é o nosso Conselho Senhor Presidente


Plinio Sales
Rio, 00/00/0

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Conselho nº 51


Caro Companheiro e Presidente


O Fato

Ligeiramente inflacionada, como desejam alguns “cérebros” governamentais, é como ligeiramente grávida. Sendo preciso relembrar que, no início da década dos anos 70, a inflação era de 20%. Em meados do mesmo período, era de 40%. Começamos os anos 80 com 100%. Era 2700%, em 1993. Nos últimos 12 meses, terminados em junho de 1997, era de 5000%, quando surgiu o Plano Real (que completou dez anos, em junho de 2004), foi erradicada a inflação que dificultava a conquista de desafios quase impossíveis de enfrentar. Foram necessários dez anos de debates, cinco tentativas de estabilização, sofrimento e angústia, para derrotar-se a hiperinflação aparentemente invencível e indestrutível naqueles tempos.


O Conselho

A sociedade brasileira considera que a relativa estabilidade de preços é uma conquista dela e que deve ser preservada por qualquer governo consciente de suas responsabilidades, independentemente de sua ideologia e de sua colocação político-partidária. O controle da inflação não é um fim em si mesmo, é uma condição insubstituível para um permanente processo de desenvolvimento humano sustentável. Porém não é suficiente. E o chefe de Governo e de Estado deve considerar que qualquer intervenção do seu governo, apesar de sua honestidade de propósito, traga necessariamente, de imediato, as melhorias desejadas. A política econômica aplicada, por sua expressa determinação, está colhendo frutos animadores irrefutáveis. Cabe-lhe, no entanto, tornar mais claro à sociedade brasileira que ele, além de ícone nacional, é de fato o comandante-em-chefe absoluto, sem intermediários, nesta jornada histórica, em busca de melhores dias para o nosso povo. Antes que seu capital eleitoral desabe fragorosamente, engolfado pelo choque de interesses pessoais que estão provocando o esgarçamento de sua base de sustentação política, tanto no Congresso Nacional quanto no governo, está na hora de explicitar que o Presidente da República não tem amigos, quando no exercício do cargo, tem, isto sim, apenas auxiliares demissíveis “ad nutum”. Prestigiar somente os eficientes. Os demais devem ser sumariamente demitidos.

Esse é o nosso conselho Senhor Presidente.

Plinio Sales
Rio, 23/07/04

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Conselho nº 50


Caro Companheiro e Presidente


O Fato

O Brasil por suas qualidades, por sua história, por suas riquezas, por seu patrimônio natural e por sua competência política e diplomática tem que desenhar novo Plano Estratégico para nortear sua ação política na América do Sul.

As influências externas de países Caribenhos, Norte-americano, Asiático ou Europeu nos países da América do Sul irão confinar a política de poder do Brasil às nossas fronteiras.

Precisamos reagir e assumir o nosso papel de Nação poderosa e dominadora da América do Sul, senão viraremos colônia da América.


O Conselho

E preciso formatar um novo modelo de relações do Brasil com outros países da América do Sul.

Antes de qualquer coisa abrir todas as fronteiras físicas e culturais permitindo que os outros países sintam o Brasil como sua Casa Mater.

As universidades brasileiras devem fazer convênios muticulturais com as universidades argentinas, venezuelanas, colombianas e outras de demais países.

No orçamento brasileiro deverão constar verbas para apoiar programas sociais e de intercâmbio culturais, além de investimentos em infra-estrutura com tecnologia brasileira.

Um novo Contrato Social deve ser costurado entre todos os países da América do Sul, assumindo o Brasil a postura de um “Holding” econômica, cultural e política do continente. Criar as raízes do poder, muito além da idéia do Mercosul.

Concentrar 60% da diplomacia brasileira nos países da América do Sul, como prioridade dominante do século XXI.

Teremos a força de um mercado superior a 250 milhões de habitantes.

Se for o caso utilizar as Forças Armadas Brasileiras para enfatizar os interesses da nova política brasileira para a América Hispano-Brasileira.

Em seguida partir para os paises da língua portuguesa.

Esse é o nosso Conselho Senhor Presidente.


Plinio Sales

Rio, 29/06/2004

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Conselho nº 49


Caro Companheiro e Presidente


O Fato

Em todo processo da vida de uma organização, os fatores externos mudam constantemente, obrigando um permanente reajuste no seu comportamento para manter-se adaptada com eficiência diante da concorrência, caso contrário irá desaparecer. No dizer de DARWIN é o processo de seleção das espécies.

No organismo estatal o mesmo fenômeno acontece. A atual estrutura, funções e obrigações do estado brasileiro, regulador pela constituição de 1988, está totalmente obsoleta e ineficiente, tornando-se uma inimiga da sociedade a qual deve servir.

É lenta. As ordens e normas emitidas em escalões superiores, raramente são cumpridas nos escalões inferiores, onde estão os agentes executivos. A máquina administradora é cara e inoperante, carrega excessiva quantidade de servidores mal remunerados, insatisfeitos e prestam serviços de baixa qualidade, fomentando os vírus da corrupção.

Se fosse possível radicalizar, seria preciso exterminá-la e criar nova estrutura operacional.


O Conselho

Constituir uma equipe de trabalho externa, independente e totalmente desligada da máquina administrativa em vigor, sem políticos, nesta fase, mas composta de “experts” em Políticas Públicas e Universidades públicas ou privadas, inclusive com consultores do exterior.

Essa equipe, no prazo máximo de 12 meses, deveria produzir um novo modelo estrutural do estado brasileiro, preparado para atender a demanda dos valores sociais, visando o ano de 2050, quando a população brasileira será superior a 200 milhões de habitantes, suportado por nova situação sócio-política, apresentando uma composição etária diferente da atual.

O voto direto do cidadão deveria ser mais importante do que o dos representantes Legislativo. O afunilamento das decisões começaria por assembléias municipais do cidadão, via voto direto, galgando progressivamente as escalas superiores.

O cidadão escolhe diretamente o seu prefeito municipal, o colégio de Prefeito escolhe o Governador, o Conselho de Governadores escolhe o Presidente da República. Cada nível de governança deveria contar com um Conselho Administrativo, no qual, metade dos seus componentes seriam oriundos de ex-governantes.

O novo modelo de Estado seria submetido à aprovação das Assembléias Municipais dos cidadãos e, afinado progressivamente, nos debates entre os órgãos representativos de classes trabalhadores e empresariais.

É preciso reduzir a burocracia e modelarmos uma estrutura elegante, eficiente e eficaz que responda mais imediatamente a demanda da sociedade.

A sociedade é a cliente principal, a máquina administrativa deve existir para servi-la e, nunca e jamais o contrário.

É preciso reformar radicalmente o Estado.

Esse é o nosso Conselho Senhor Presidente.



Plinio Sales
Rio, 17/06/2004