terça-feira, 28 de setembro de 2010

Conselho nº 37

Caro Companheiro e Presidente


O Fato

Cerca de 20 milhões de brasileiros estão excluídos de qualquer acesso ao crédito. Trata-se de pessoas produtivas, atuando em mais de 9,5 milhões de pequenos negócios, formando um mega-conjunto de empreendedores que deseja progredir, melhorar de vida, mas que não tem como recorrer ao empréstimo tradicional para ampliar suas atividades. O que existe em micro-crédito é apenas muito pouco: em torno de R$ 200 milhões para cerca de apenas 180 mil clientes. Segundo dados do BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, é baixa a inadimplência registrada, 77% dos tomadores são informais e a sua maioria de 55% é de mulheres.


O Conselho

Pobre paga pontualmente suas dívidas. Quando ocorre o contrário é por motivo de morte, doença ou desemprego. Não deve haver nenhuma burocracia. Deve haver absoluta confiança. Na prática o risco é pequeno, residual. É oportuno ser criado um Fundo Nacional de Micro-Crédito, constituído por liberações de parte do depósito compulsório dos bancos no Banco Central e títulos financeiros governamentais á longo prazo. Crédito direto ao vendedor de cachorro quente, cozinheira, mecânico, costureira, encanador, verdureiro, sapateiro, vendedor, professor etc...

O Micro-Crédito é uma semente que se transformará numa árvore frondosa que dará frutos de emprego e renda. Os exemplos dos professores Ivonete da Silva Cardoso e Ricardo Ramos Leporaci são uma comprovação. Ela queria ampliar sua escola, fundada em 1983, para melhor atender a seus alunos da creche, maternal e ensino fundamental. Por meio do micro-crédito, que usufruiu pela quarta vez, conseguiu construir duas salas de aula e uma quadra de esportes. O número de alunos cresceu de 130 para 272 e o colégio gerou 19 empregos. Ele sonhava em montar uma escola de informática. Quando conseguiu seu primeiro empréstimo, tinha 2 computadores e 28 alunos. Cinco anos depois, com mais alguns empréstimos, sempre pagos pontualmente, tem 30 computadores e 300 alunos. Fome zero e pleno emprego acontecerão quando a moeda do pobre, a sua honradez, tiver curso natural neste País de tanta exclusão social.

Esse é o nosso Conselho Senhor Presidente.


Plinio Sales
Rio, 04/08/04

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