segunda-feira, 15 de agosto de 2011

CONSELHO AO PRESIDENTE Nº132


O Fato:
É da sabedoria popular que todos temos duas ou três caras, para usar conforme a ocasião. Há o dito do Caetano Velloso de que de perto ninguém é normal.
Para conhecer o povo e o que o povo pensa, tem que conviver com o povo. No povo tem especialistas em doces, cocadeiros e de brigadeiros, vendendo aos que passa. Tem motoristas de taxis e tem pilotos de avião. Classes gays e também de artistas do Nós do Morro. Tem corintiano, flamengo e paissandu. Cada um, com a sua própria personalidade e suas circunstâncias. O Geovanni misterioso andante do Vidigal, como judeu errante, carrega todas as suas coisas em duas malas e mora na rua, tem uma lógica impressionante sobre a vida e não é amarga.
Então cada povo tem a sua palmatória, e seus pensamentos e suas críticas.

O Conselho:
É impossível nas cercanias do espelho d’água, ilhada, cercada de puxa-sacos, conhecer o que o povo, verdadeiramente, pensa.
Para chegar aos ouvidos e olhos nessa submassa arranje disfarces, compostos por personal-disfarcistas da Globo, e caminhe pelo povo. Nas ruas do Recife, na Barão de Itapetininga, na Feira do Ver o Peso, no Pelourinho, na Lapa-Rio ou no Vidigal. Fique atenta e anote o que vê e ouve. Ao chegar no Planalto determine os alívios em favor do povo: do pãozinho quente aos problemas de transportes, será feito um rol de providências em favor do povo.
Esse é o Conselho Sra. Presidente se disfarce para bem ouvir e ver o povo, chegando à sua intimidade.

Rio de Janeiro, 29 de julho de 2011
Plinio Sales

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