segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Conselho nº 64


Caro Companheiro e Presidente

O Fato

A soja brasileira é sadia e entra em todos os mercados do planeta, inclusive na China até os desagradáveis acontecimentos do mês de junho de 2004, quando foram devolvidas 360 mil toneladas, que estava, de acordo rigorosamente com as mais rigorosas regras internacionais. A China, além disso, proibiu a importação de soja das empresas brasileiras que forneceram o produto devolvido. Ato revogado depois de desconfortáveis negociações, causando, no entanto, um prejuízo a esses exportadores superior a US$ 1 bilhão. As razões desta atitude desonesta foram duas: A primeira, a indústria descobriu que comprou muito mais soja do que precisava, a um preço de US$ 250. A devolução com o rompimento dos contratos, inclusive desrespeitando cláusula de arbitragem, foi um grande negócio para os chineses, porque logo a seguir, em agosto / setembro, começariam a chegar ao mercado internacional a soja dos Estados Unidos, com projeções de grande safra, significando uma queda ainda maior nos preços. A segunda razão foi deixar explicitado que a China não está disposta a embarcar em aventuras antiamericanas econômicas ou políticas, a maior potência econômica do planeta, e inegavelmente a sua única superpotência militar. E a mais entusiasmada parceira do desenvolvimento econômico chinês.


O Conselho

A lição que os chineses nos deram precisa ser absorvida e jamais esquecida: não há países amigos ou inimigos, porém somente bons ou maus negócios. O frio constante e o pragmatismo oriental fizeram desmoronar o lirismo singelo de um governo debutante, na difícil caminhada das relações internacionais, sonhando criar megas parcerias alternativas confrontantes com o radical unilateralismo que, em alguns casos, é altamente vantajoso. Exemplo, os Estados Unidos são os maiores compradores de produtos chineses e seus maiores investidores, registrando um superávit comercial para a China em torno de US$ 100 bilhões, superior ao total das exportações brasileiras para o planeta em torno de US$ 80 bilhões. Vale a pena repensar a confusa oratória nas nossas relações internacionais.

Esse é o nosso conselho Senhor Presidente.

Plinio Sales
Rio, 23/07/04

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