Caro Companheiro e Presidente
O Fato
Ligeiramente inflacionada, como desejam alguns “cérebros” governamentais, é como ligeiramente grávida. Sendo preciso relembrar que, no início da década dos anos 70, a inflação era de 20%. Em meados do mesmo período, era de 40%. Começamos os anos 80 com 100%. Era 2700%, em 1993. Nos últimos 12 meses, terminados em junho de 1997, era de 5000%, quando surgiu o Plano Real (que completou dez anos, em junho de 2004), foi erradicada a inflação que dificultava a conquista de desafios quase impossíveis de enfrentar. Foram necessários dez anos de debates, cinco tentativas de estabilização, sofrimento e angústia, para derrotar-se a hiperinflação aparentemente invencível e indestrutível naqueles tempos.
O Conselho
A sociedade brasileira considera que a relativa estabilidade de preços é uma conquista dela e que deve ser preservada por qualquer governo consciente de suas responsabilidades, independentemente de sua ideologia e de sua colocação político-partidária. O controle da inflação não é um fim em si mesmo, é uma condição insubstituível para um permanente processo de desenvolvimento humano sustentável. Porém não é suficiente. E o chefe de Governo e de Estado deve considerar que qualquer intervenção do seu governo, apesar de sua honestidade de propósito, traga necessariamente, de imediato, as melhorias desejadas. A política econômica aplicada, por sua expressa determinação, está colhendo frutos animadores irrefutáveis. Cabe-lhe, no entanto, tornar mais claro à sociedade brasileira que ele, além de ícone nacional, é de fato o comandante-em-chefe absoluto, sem intermediários, nesta jornada histórica, em busca de melhores dias para o nosso povo. Antes que seu capital eleitoral desabe fragorosamente, engolfado pelo choque de interesses pessoais que estão provocando o esgarçamento de sua base de sustentação política, tanto no Congresso Nacional quanto no governo, está na hora de explicitar que o Presidente da República não tem amigos, quando no exercício do cargo, tem, isto sim, apenas auxiliares demissíveis “ad nutum”. Prestigiar somente os eficientes. Os demais devem ser sumariamente demitidos.
Esse é o nosso conselho Senhor Presidente.
Rio, 23/07/04
Nenhum comentário:
Postar um comentário